Depois que seu filho foi diagnosticado com dengue, Afliana Soares tornou-se uma das líderes comunitárias que ajudam seus vizinhos em Dili a compreender o método “ Wolbachia ”. As campanhas de divulgação já abrangeram toda a população urbana da capital de Timor-Leste, cerca de 240 mil pessoas, por meio de uma colaboração entre o Ministério da Saúde, a “ World Mosquito Program ”, a “Action on Poverty” e a Menzies School of Health Research.
Afliana Soares se lembra daquela noite como se fosse ontem. Seu filho estava com febre que não baixava.
"Levei-o à clínica e o médico nos aconselhou a voltar para casa e dar-lhe um remédio para baixar a febre, mas a febre não baixava", diz ela.
Apesar do remédio, a febre do filho continuou subindo, então Soares o levou a outra clínica.
"O médico coletou uma amostra de sangue e os resultados mostraram que meu filho estava com dengue. Eu não esperava por isso."
Falando de um centro comunitário em um bairro arborizado de Dili, capital litorânea de Timor-Leste, Soares afirma que a experiência mudou sua perspectiva. A dengue tornou-se uma preocupação crescente para a saúde pública na nação mais jovem da Ásia, com vários surtos graves registrados na última década. Até o final de março, Timor-Leste, também conhecido como Timor Oriental, havia registrado mais de 3.500 casos de dengue e mais de 20 mortes.
Inspirado por uma experiência pessoal
Para Soares, a experiência de sua família com a dengue serviu de motivação para ajudar a proteger outras pessoas.
"Estou grata por meu filho estar saudável novamente", diz ela. "Por causa das informações que recebi, sempre as compartilhei com a comunidade."
Como líder comunitário respeitado, Soares ajudou os moradores a compreender as recentes Wolbachia solturas de mosquitos, como parte de um esforço conjunto para reduzir as doenças transmitidas por mosquitos em todo o país.
A colaboração entre a Fundação para a Saúde Global ( World Mosquito Program ) (WMP), o Ministério da Saúde de Timor-Leste (MoH), a Action on Poverty (AOP) e a Menzies School of Health Research permitiu que as amostras abrangessem toda a população urbana de Díli — cerca de 20 quilômetros quadrados e aproximadamente 240.000 pessoas. O projeto, concluído no início deste ano, também contou com o apoio do Governo australiano por meio do Programa Australiano de Cooperação com ONGs (ANCP) e da Fundação do Grupo Macquarie.
"Tenho muito orgulho de fazer parte desse programa", acrescenta Soares. "Como líder comunitário e organizacional, avisei às pessoas para não terem medo caso alguém do Ministério da Saúde ou da Menzies viesse distribuir Wolbachia repelentes contra mosquitos, pois o objetivo é prevenir a dengue.”
Enfrentando um desafio crescente na área da saúde
Timor-Leste, onde vivem cerca de 1,4 milhão de pessoas, tem enfrentado repetidos surtos de dengue nos últimos anos, com as doenças transmitidas por mosquitos continuando a exercer pressão sobre as comunidades e o sistema de saúde.
O professor Nelson Martins, consultor técnico sênior, afirma que os parceiros do país reconheceram o potencial do método de WMPWolbachia como uma abordagem sustentável para a prevenção da dengue.
"Por meio de reuniões com os especialistas da World Mosquito Program (WMP), concluímos que o Wolbachia método é uma boa tecnologia, adequada para proteção de longo prazo com um orçamento eficaz”, afirma ele.
"Então, quando a WMP estava procurando parceiros em Timor-Leste, a Menzies se mostrou muito aberta e disposta a apoiar a implementação."
Construindo a confiança da comunidade
Para o Dr. Heitor da Costa Pereira, diretor da Diretoria Nacional de Prevenção e Controle de Doenças do Ministério da Saúde, o sucesso do programa dependeu de um forte envolvimento da comunidade desde o início.
Trabalhando em estreita colaboração com líderes comunitários como Soares, Pereira acredita que o apoio local tem sido fundamental para construir confiança e incentivar a participação.
"Todos sabemos que a dengue, a malária, a chikungunya e o zika são doenças presentes nos países tropicais", afirma ele. "Hoje em dia, vivemos em uma era de globalização. Precisamos adotar a tecnologia e a inovação para ajudar a reduzir as doenças e salvar vidas."
WMP's Wolbachia já está apresentando tendências encorajadoras em toda Dili, com o monitoramento de longo prazo continuando nos próximos anos.
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Olhando para os próximos anos
Pereira faz questão de ressaltar que uma mudança duradoura leva tempo.
"É preciso entender que nada acontece da noite para o dia. Quando começamos algo, o processo leva tempo. Sei que as pessoas querem resultados imediatos, mas é preciso ter paciência."
Martins concorda e espera que o programa possa, no futuro, se expandir para outras regiões do país.
"Desde o início do Wolbachia programa, a experiência e o conhecimento têm aumentado em toda a comunidade timorense”, diz ele. “Antes, pouquíssimas pessoas sabiam do programa. Agora, o governo e muitas comunidades estão falando sobre ele.”
"Esperamos que, nos próximos anos, possamos ver o impacto dessa iniciativa, e que o governo e as comunidades possam continuar expandindo o programa para outras áreas, à medida que trabalhamos para que Timor-Leste fique livre da dengue."

